domingo, 12 de agosto de 2012

A Trilogia - Vilões do Relacionamento - Parte 3ª -Jogos de Poder


“Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta deamor. Um é a sombra do outro.”  - Carl Gustav Jung
Nascemos submetidos pelos adultos e morremos submetidos pelo corpo cansado.
Entre um evento e outro brigamos por submeter algo ou alguém. É assim que a vida acontece.
                  assim que sentimos pela vida toda !
Não gostamos de admitir, mas a verdade é que o poder nos fascina.
O poder enquanto relação de hierarquia sempre está presente, goste ou não.
Sempre haverá alguém mais culto, inteligente, bonito, simpático, esperto e sociável que você. A voz de comando sempre pertece àquele que domina uma habilidade ou tem um atributo valorizado socialmente.
Mesmo quando uma pessoa abdica de algum poder ela busca o poder de saber que não se submete.

Relacionamento amoroso

Existe um tecido delicado de forças num relacionamento amoroso. Enquanto há recompensa de poder a relação perdura. É como se houvesse uma balança que equilibra os créditos e os débitos emocionais.
Se você sente que fez algo para o relacionamento de modo “desinteressado” inconscientemente está em crédito emocional. Quando a pessoa retribui essa balança se equilibra de novo.
Uma mulher que se submete a um marido alcóolatra por muitos anos certamente sente o poder de ser alguém que luta pela família. É comum as esposas de ex-alcoolistas adotarem uma postura maternal com outras pessoas que não o marido. É um prazer secreto por se sentir superior ao marido “bebum”.
Mesmo quando submetida a pessoa busca o poder na sensação de resistência e lealdade àlguma causa.

Os disfarces de poder

A sensação de muitas pessoas boas pode ser fruto de uma sede de poder. Querem ser as mais caridosas a ponto de recusarem elogios e se assumirem incapazes de tanto. O poder de ser moralmente superior. É comum os bondosos permanecerem ressentidos daquilo que tem que abrir mão em favor do bem.
As mentiras que contamos diariamente são tentativas de sustentar nossa sede de poder. Mentimos para simular um bem-estar e boas relações com o intuito de ficar por cima.
Traduzo autoestima como o desejo de se sentir importante aos olhos dos outros. Quem sente a baixa autoestima é porque não conseguiu se sentir importante para alguém.
As amizades podem ser palcos para disputa de poder. Alguém da turma é sempre elegido como a vítima e os demais seguem como  alfa.

 Os meios

A questão é que o relacionamento amoroso será um palco de competição. É um comércio de amor. Um tentando dominar as vontades do outro. É nesse jogo que a maior parte dos relacionamentos estaciona.
Disputam atenção, risos, convites, olhares e admirações que trazem aquela sensação de bem-estar.
Brigas de casal
Veja como isso é desastroso numa relação amorosa, pois ao sustentar o poder pessoal o casal perde a medida do compartilhamento. Inconscientemente vêem o parceiro como um oponente, alguém que atrapalha sua felicidade. 

Mais brigas.

Já notou numa discussão que ambos querem ter a razão? Não é a razão ou respeito que buscam, mas a posição de superioridade.
As brigas são resultados dessas disputas de poder. O casal com o tempo fica testando um ao outro em sua capacidade de amor. Quem demonstra mais está por cima e o outro vai ficando amorosamente humilhado. Para recuperar a sensação de poder aquele que está por “baixo” pode reconhecer com gratidão aquilo que recebeu ou pode atacar o outro a fim de que desça também. O ciclo é interminável.

Términos de relacionamento

Quem é deixado perde o poder, quem deixa ganha. Quem foi deixado dirá muitas coisas para superar sua queda. Tentará encontrar mil explicações para amenizar a sensação terrível de ouvir “não gosto mais de você!”. E novamente tentará superar (tradução = ficar por cima) o término do relacionamento.
O que nos causa dor é ter a sensação do ego massacrado e sem perspectivas de algo mudar.
Por essa razão é tão difícil assumir que perdeu um relacionamento.

A recusa do poder

Para quebrar esse ciclo é essencial meditar sobre o quanto de autoimportância você quer dar numa relação. Você quer ser feliz com alguém ou provar que ninguém domina você? Quer ter o controle ou ser surpreendido pela vida? O amor, enquanto abertura para novas movimentações emocionais, fica bloqueado quando poder entra em ação, daí a dificuldade de simplesmente amar.

sábado, 11 de agosto de 2012

A Trilogia - Vilões do Relacionamento -Parte 2º Apego



Falei sobre a carência e como ela corroi os relacionamento.


Apegado? Eu?
O apego nasce do desejo de que as coisas fiquem sobre nosso controle. É uma vontade de que tudo permaneça imóvel, como está, sem alterações ou movimentos imprevisíveis.

Origem

Há um processo natural de desmame que a criança vai lentamente se desapegando do corpo da mãe e criando a representação psíquica dela.
Depois a criança usa o paninho, o travesseiro e começa a se relacionar com o mundode forma ampla expandindo o símbolo da mãe.
No entanto, esse desmane pode não acontecer de forma tão saudável quanto gostaríamos, normalmente não é. No meio do caminho acontecem falhas mais graves, ações menos intensas, descuidos e acidentes.
A capacidade da criança de se desligar de algo com segurança fica abalada.Essa repercussão pode se arrastar por uma vida inteira.
O apego é inabilidade de deixar que o fluxo natural da vida aconteça.

Desafio

Faça um exercício: você seria capaz de partir agora mesmo e ir para um lugar absolutamente estranho?
Esse pequeno treino mental é o suficiente para você identificar no que é apegado.
A segurança que buscamos em nossas emoções direciona a qualidade da vida que levaremos. Quanto maior a sede por segurança, estabilidade e previsibilidade maior o nível de sofrimento.

Nos relacionamentos

Quando você se apega à pessoa que ama, na realidade está apegado ao conforto que a presença dela causa em você. Você está condicionado à sensação de constância e continuidade que a imagem da pessoa amada provoca. Quando ela muda algum comportamento habitual ou rompe a relação a grande ferida é naquele tecido sutil que compõe nosso psiquismo.
O desespero de um rompimento é por conta da quebra interna da segurança que investimos por muito tempo.
 frase já revela um engano crucial. A pessoa já vivia sem ele, antes que o encontrasse, vai sobreviver depois. O que ela não vive é sem a sensação de aparente segurança e poder que o apego provoca.
Ela precisa ampliar o direcionamento de seus interesses para além da fixação que criou em torno de uma pessoa. É um processo que parece doloroso exatamente pelo vício emocional da pessoa apegada.

Na vida

O apego é a resistência à mudança e vida é movimento contínuo. O apego é uma postura psicológica que impede a vida de prosseguir. A pessoa apegada tenta interromper o fluxo natural dos acontecimentos tentando impedir que o tempo passe, as coisas se alterem e as pessoas mudem.
A pessoa apegada de tão possessiva nem percebe que ela própria está privada de liberdade.
O apego é a ansia por congelar a realidade, manter cada coisa como se fosse a mesma. Mas como paralisar pensamentos, sentimentos e pessoas para que não mude? Como deter a passagem do tempo incessantemente?

Mudança

O não-apego é um treino mental continuado. Algumas pessoas confundem desapego com não-envolvimento. Para se desapegar é necessário o envolvimento. No entanto, para evitar a sensação de colapso de seu sentimento de estabilidade a pessoa evita qualquer tipo de envolvimento. A frieza emocional não poupa ninguém, apenas adia o problema. A pessoa fria está apegada na imagem de desapego, é só uma outra forma de fixação mental.

 Exercício

Faça um exercício mental diário. Se desfaça de pequenas ideias que você acha que definem você. Quetione suas caraterísticas mais singulares? Reflita sobre como seria ter uma outra realidade que não essa. Faça um treino para a morte, o desapego final! Pense na sua vida cabendo em apenas uma mala de viagem, o que colocaria ali?
Essa série de 3 posts tem o objetivo de falar de 3 vilões de relacionamentos amorosos. Ontem falei de carência, amanhã falarei sobre o poder.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Trilogia - Vilões do Relacionamento -Parte 1ª Carência


Nascemos desprotegidos, vulneráveis, passivos e carentes. Dependendo de como essa vida foi levada à diante essa é a fórmula perfeita para um desastre a longo prazo.
Insaciável
Somos seres necessitados! Necessitamos de água, comida, sol, pessoas, amor, lazer, trabalho, sexo, crescimento e sentido de vida. Buscamos atender nossas necessidades a todo momento.
A maneira que atendemos as necessidades determina o modo como viveremos pela vida toda. Podemos cultivar uma mente insaciável, voraz e exigente em relação às vontades.
A fome é uma necessidade básica, isso não quer dizer que você deva atendê-la sem critério, direcionamento e parada. Para atendê-la você pode escolher um cardápio saudável, preparar sua comida, convidar alguém para compartilhar do alimento e se saciar com uma quantidade razoável.
Mas além da fome queremos matar a carência.

A origem

A carência é uma ilusão emocional que criamos na tentativa de compensar uma “falta” que tivemos ao longo da vida. Atribuimos essa falta aos pais. Lamentamos que eles não deram tudo aquilo que gostaríamos.
Para o insatisfeito sempre houve menos amor, atenção, tempo e incentivo do que gostaria. Carência emocional é essa reivindicação não atendida dos pais.
Se parasse por aí seria bom, o problema é que continuamos a exigir atenção exclusiva, intensa e constante de tudo o que transita ao nosso redor.
Bebemos agua do mar e quanto mais bebemos maior a sede.
Exigimos algo de outra ordem que nada tem a ver com o momento presente.

Escravidão

O carente é escravo de receber. Só receber.
A pessoa carente entra numa relação amorosa esperando receber do outro tudo aquilo que fantasia merecer. Sente-se no direito de ser recompensada por cada gesto, afago ou elogio que dá. Na realidade é uma falsa doadora, espera receber na mesma moeda e com juros.
A pessoa carente se mostra frágil e dependente de atenção e provoca a sensação de que por mais que receba nada basta ou é suficiente.

No relacionamento amoroso

Essa base de relação é a maior causa de desastres emocionais, pois a carência é mãe do ciúmes, da inveja, das exigências sem sentido, das brigas por atenção exclusiva, do tédio e do sentimento de insuficiência de uma relação.
Depois de um tempo de relacionamento nada que o outro faça é o suficiente, o nível de exigência vai aumentando e criando uma demanda insustentável. O carente exige mais e mais, votos de compromisso, lealdade, integridade, exclusividade e tentar manter a pessoa amada numa redoma de vidro.
O carente faz isso nos relacionamentos e na vida, pois nem percebe que sempre está tentando cativar a atenção dos outros.
Pessoas exibidas são carentes, os barraqueiros igualmente, os pegajososjá são conhecidos, mas as pessoas frias também (quanto maior a carência maior a proteção numa casca de autossuficiência).

Maneira que vê o mundo

A pessoa carente sempre tem um pensamento de escassez. Tudo pode acabar a qualquer momento, está sempre mesquinhando emoções. Grita em seus pensamentos que algo desastroso vai acontecer. Por isso pode se transformar em possessiva daqueles que agarram você de fato e aqueles que usam de artimanhas emocionais para manter você numa teia psicológica.

O que seria uma pessoa não carente?

Seria alguém que não responsabiliza alguém ou uma situação para abastecer suas necessidades. Ao inves de pedir ou receber algo ela possibilita experiências em conjunto. Sabe que a vida não acontece quando você recebe mas quando você possibilita um espaço em que algo produtivo aconteça. A pessoa não-carente proporciona um espaço como alguém que abre uma roda de dança para que cada um se manifeste livre, sem exigências, pressão ou formato definido.
A base da não-carência é a generosidade desprendida. Se quer deixar de ser carente ofereça algo de si para alguém livre dos resultados.
Essa série de 3 posts tem o objetivo de falar de 3 vilões de relacionamentos amorosos. Amanhã falarei sobre o apego e depois sobre o poder.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Quando vira Nó


Reprimir, impedir de desenvolver-se, sufocar uma revolta... Será que uma pessoa tem esse direito sobre o outro? Será que se pode cobrar do outro meus próprios sentimentos de insegurança e carência?
Claro que a resposta é não. Mas muitos se acham com esse direito, sem se dar conta de que a “relação esta subindo no telhado”, vestem a máscara de bonzinhos, fazendo tudo em nome do bem estar do “outro”. Querer proteger, cuidar, dar presentes em nome dessa proteção, que no fundo se torna uma arma para chantagear e manter o outro nessa bolha de sufocamento. É a cobrança pelos “bons gestos” prestados.
E a teia vai crescendo, o outro achando o máximo no começo ter alguém que cuide, que dê atenção, que proteja, aos poucos começa a perder sua própria identidade, pois substitui pelos sonhos, projetos e decisões do outro.
O Sufocador (a) , continua a não se dar conta do prejuízo que causa a si mesmo, pois acabará ficando só, seu ego não permite ver que o mundo não gira em torno do seu umbigo. Muito menos percebe o tamanho de sua insegurança disfarçada em autoritarismo, imposição e agressividade a cada vontade do outro de criar asas, de ter um sonho ou espaço individual.
Encontrei em um fórum o claro exemplo do sufocador em ação:
"Mulheres me ajudem, como faço para não sufocar a minha namorada? Como fazer ela sentir a minha falta?
Gente, gosto de ligar toda hora, de passar mensagens, de dengar, de falar que a amo muito toda vez que ligo, em fim, passo para ela toda hora segurança e tem algumas vezes que eu não sou correspondido do jeito que eu espero, como fazer para ela sentir a minha falta e fazer tudo que eu faço pra ela?"
Observem que ao mesmo tempo que há um pedido de ajuda para mudar, logo adiante ele faz a cobrança pelos “bons gestos” ao dizer que não é correspondido do jeito que espera, e quer de volta tudo que faz por ela. Quem faz algo para o outro esperando receber em troca, esta se relacionando de forma equivocada! Por que ao invés de fazer pelo outro esperando retribuição, não faz diretamente para sí mesmo? Então devo maltratar, ignorar ou desdenhar minha parceira? Não. Estamos falando em equilíbrio, em sensatez, em pensar em seus próprios sentimentos e saber que cada um é responsável por si mesmo. Em não ficar esperando que o outro seja responsável em dar-lhe algo que sente falta.
Pensar que nunca será traído é um bom motivo que o sufocador (a)  também encontrou para pensar que consegue controlar o mundo do seu relacionamento. Ligar insistentemente, mandar mensagens, disponibilizar alguém para controlar em seu lugar, conversar com parentes, amigos, vigiar Orkut, MSN, email, Twitter, Celular... É mesmo uma forma de cuidar? O sufocador (a)  vestiu uma armadura falsa para que nada atinja quem cuida, nada o atinja, mal sabendo que seu pior inimigo esta dentro da propria armadura. 
Porque a ilusão de que o parceiro (a)  deva ficar sob nossa supervisão nos dá a sensação equivocada de segurança... mas enquanto tentamos vigiá-lo (a), perdemos também a nós mesmos, desviamo-nos de nosso próprio caminho para seguir um caminho que não existe, que não é o nosso e também não é o da pessoa amada” E ainda mais Porque definitivamente, pressões e cobranças não são garantia de fidelidade. Nunca foram, mas atualmente, atitudes como estas parecem estar garantindo bem mais o exato oposto, ou seja, que haja menos tolerância e disponibilidade para fazer dar certo, que a relação acabe mais rapidamente ou que sobreviva permanentemente doente...
Infelizmente, muitas vezes nos damos conta do quanto estávamos perdidos dentro de um relacionamento e o quanto estávamos transferindo nossas neuroses e inseguranças somente quando perdemos um grande amor! 
Precisa acrescentar mais alguma coisa depois disso? Quer ver outro exemplo de sufocamento pelo lado do sufocado: Veja:
O que fazer com um ser grudento? Não  aguento mais.  
E geralmente o sufocador (a) não escuta mesmo. Persiste na idéia fantasiosa de que faz o bem, e o malvado é quem quer dizer que ele não esta correto. Criam uma defesa para suas próprias emoções doentias, que as vezes não conseguem nem acordar, vira a doença da POSSESSIVIDADE. Pior quando entram na fase dos presentinhos e estar sempre disponível quando a parceira precisar. Ligue o sinal de alerta sufocada, você pode estar mesmo em perigo!
Para fechar esse texto dois trechos do livro “Velejando com a Vida”:
- "Quando aperto o nó, vejo amantes unidos, braços e pernas entrelaçados, pernas estendidas. Quando afrouxo o nó, vejo os amantes se separando, como deve ser, porque os que se amam, ainda que se amem muito, não podem estar ligados pelo amor em todos os momentos de suas vidas. 

Entretanto, o que mais acontece quando um homem e uma mulher se encontram não é atarem o nó direito, e sim o nó torto, e tornarem-se prisioneiros do amor, e não parceiros, consortes. Esfolam-se e desgastam-se com o atrito e, mesmo que lutem e se esforcem, não conseguem escapar de seus laços. "Estamos amarrados", dizem quando caminham para o altar, e suas palavras são mais proféticas do que imaginam. Uma vez casados, marcham em formação cerrada no mesmo ritmo, com o mesmo passo travado, aos arrancos. É uma situação lamentável, mas não há nada a fazer; como o nó que ataram não se afrouxa, eles se enredam de tal modo que afinal se estrangulam"
 Acho que a maioria de nós tem medo de se entregar e sentir tristeza pelo que a vida levou, porque pensa que nunca mais vai recuperar o domínio de si. O medo é infundado; o que deveria realmente nos assustar é a possibilidade de perder a capacidade de lembrar a vida que vivemos, que nos conecta com nós mesmos. As doenças mais aterrorizantes não são as que nos tiram a vida  são as que nos deixam à deriva, ao sabor da corrente em um mar vazio, privando-nos de nossas lembranças.
                       Liguem o Alerta Galera !!!!!!       

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A mentira é sua arma. A hipocrisia sua maior conselheira.


O Brasil é um pais onde os humoristas e comentaristas políticos tem um ambiente fértil para suas piadas e escritos. A vida política é rica em episódios que proporcionam as mais variadas piadas e críticas jornalísticas. É verdade. Qual o custo disto? A perda da vergonha e da ética no seio da sociedade. É vergonhoso para todos nós, ao menos este deveria ser o sentimento a envolver os homens de bem, que convivem com a destruição da ética e da verdade, a cada dia, pelos que se dizem representantes do povo. Recentemente setores dessa sociedade hipócrita e dissimulada se mostraram indignados e chocados com as palavras de um determinado deputado federal que ousou dizer que ele estava pouco se lixando para a opinião pública. Por que a surpresa e a hipocrisia? Por acaso esse político mentiu? Não, apenas tornou público um pensamento que habita a maioria das mentes políticas deste país, lamentavelmente. E por isto, como é de hábito numa sociedade hipócrita e acostumada a falsos elogios, foi execrado e condenado pela opinião pública (leia-se, também, a mídia). Quero deixar bem claro que não estou defendendo esse deputado e nem sua biografia (suja, como a de muitos outros), pois considero-o parte do lixo político existente na política nacional, mas não posso fazer de conta que vivemos num país de maioria ética e de uma sociedade consciente de sua responsabilidade cidadã e seus compromissos diante do progresso de seu país e dos seus habitantes. Não vivo num conto de fadas, onde as aparências se sobrepoem a realidade. Quem quiser assim viver, que assuma os riscos de sua omissão. Aqui , semeia-se a todo instante a hipocrisia e a demagogia na relação política e sociedade. Nesse espaço democrático, conquistado parcialmente ao longo do tempo ao custo de sangue e dor, se mente para a população da forma mais hipócrita possível, alimentando ilusões e se amparando em princípios cristãos distorcidos e que servem apenas àqueles que se servem dos mesmos. Em pleno século 21, ainda se respira, , os podres ares da discórdia e da segregação política. Tem o lado A e o lado B. Quem está num lado não pode sequer manter um diálogo amigo com alguém do outro lado, que pode estar sendo monitorado e os todos-poderosos da política local podem se melindrar e se magoarem. Quem critica, com argumentos democráticos ou não, essa ou aquela gestão pública, corre o risco de ser alvo de injúrias e perseguições das mais variadas formas, inclusive dentro
das hostes familiares, por aqueles que resistem em ser racional em detrimento dos interesses imediatos e dos sentidos. Pobre ser humano, pobre humanidade, mas assim caminhamos.
A política local é, infelizmente, provinciana, egoísta e comprometida com os interesses nada republicanos dos seus protagonistas e dos que se mantém no anonimato e nas sombras do poder. Carecemos de pessoas e idéias progressistas e voltadas para o desenvolvimento do município, sem conotação partidária ou vinculada a interesses pessoais.
Conceitos importantes como a ética são bandeiras de tolos e fracos, ao menos assim é demonstrado nas ações políticas dos partidos e seus membros, que em nome de uma suposta governabilidade, esmagam princípios éticos , que são abatidos diariamente nessa guerra em torno da manutenção do poder, sempre no argumento de que se faz tudo isto em prol do bem da sociedade e do povo  e do Brasil. Hipocrisia pura. Neste mundo ainda se mata em nome de A B ou C.  Os partidos políticos não mais se diferenciam. Os políticos e seus partidos, ao menos em sua grande maioria, se assemelham em conteúdo e essência. No Brasil,  não se vota em partido, se vota em nomes.  É o poder do carisma e da afinidade popular de um líder político, e não fruto de uma consciência cidadã e politizada, lamentavelmente. Ainda precisamos de  líderes. Temos medo de sermos nós mesmos, precisamos de "bengalas" no caminhar da Vida.
Aqui em  não é diferente.  é um exemplo claro dessa semelhança fisiológica e da hipocrisia existente na política mundana construída e alicerçada em falsos valores e numa cultura distorcida e desducada existente. Rasgaram-se todas as bandeiras em torno da ética e da moral que pareciam
renascer no seio da sociedade e dos políticos após o episódio das Diretas Já. São falsos pregadores da moral e da ética que se arvoram defensores da população e do erário público. Ao invés disto, confundem o privado com o público e vice-versa. Ignoram os anseios populares, as necessidades dos sofridos e dos oprimidos pela força do poder econômico. Estão pouco se
lixando para as dores sociais, se preocupam somente em enriquecerem e manterem as rédeas do poder nas mãos, custe o que custar. A mentira é sua arma. A hipocrisia sua maior conselheira. As sombras, seus guias espirituais.
Em meio a lama que envolve atualmente a política nacional, certamente há algumas flores que tentam oxigenar o odor fétido exalado dessas almas comprometidas com a mentira e os interesses pessoais, mas ainda não é suficiente para que a fedentina seja dissipada e eliminada. Precisamos muito mais do que indignações e cartões vermelhos diante do caos
estabelecido na podridão do sistema político existente no Brasil e em muitas outras partes do mundo, precisamos também agir e construir ações em torno do bem estar coletivo. Não é e nunca foi uma tarefa fácil, mas é o caminho a ser seguido.
Servir e não ser servido. É a meta. Quem assim o fizer, dará sua parcela de sacrifício, certamente colherá ao menos a doce sensação de uma consciência tranquila e poderá estar em paz consigo mesmo. 
O mundo, dizem, não é justo, verdade, mas nós podemos mudar isto, somente nós.

domingo, 6 de maio de 2012

Sucateamento: o legado do projeto educacional da ditadura militar brasileira à atualidade


A atual situação do sistema educacional brasileiro tem sido objeto de um esforço de compreensão por uma série de estudiosos, provocando discussões nas mais variadas entidades da sociedade civil, além de ser notícia constante em todos os meios de comunicação. A reforma educacional que passou a ser implementada a partir da década de 90 nos países latino-americanos tem sido objeto de muitas reflexões, que vêm enfatizando suas características neoliberais, refletindo a lógica assumida pelos Estados neste novo dimensionamento do capital na região. Neste sentido, o estado vai se eximindo das responsabilidades de investimentos diretos na área social e abre à iniciativa privada as possibilidades de investimentos subvencionados direta ou indiretamente.
Se, há alguns anos, era senso comum que tínhamos uma educação pública de péssima qualidade, escolas sucateadas, professores despreparados e mal pagos, enfim, todo um sistema educacional falido, hoje a avaliação da má qualidade do ensino público se mantém, apesar dos recursos garantidos a partir da constituição de 88 e das leis editadas nos anos 90.
Os órgãos oficiais, acompanhando as avaliações dos organismos internacionais, responsabilizam os professores pela permanência dessa situação. Assim, sem considerar a historicidade subjacente à realidade atual, continuam a implementar, de forma autoritária, políticas que traduzem os grandes acordos que se manifestam em políticas públicas na medida em que são assumidas pelas organizações governamentais locais. Reproduzem, dessa forma, o autoritarismo que tem caracterizado a implantação das políticas públicas no Brasil.
As características que hoje estão presentes na educação também foram conformadas pelo tipo de desenvolvimento histórico que o país conheceu. Entender a educação hoje, em sua função social, passa, necessariamente, pela compreensão da função histórica por ela cumprida, particularmente no momento em que a rede pública de ensino abriga um grande contingente de trabalhadores; momento em que sofre um processo de modernização conservadora: o período da ditadura militar.
A análise da educação ao longo dos 21 anos de ditadura militar deixa transparecer de forma bastante nítida uma das grandes contradições do regime: produzir mecanismos de desenvolvimento acelerado de acumulação de capital e garantir, simultaneamente, o acesso da população aos direitos de bem-estar social. Esse impasse não encontrou solução, e os direitos de bem-estar foram sacrificados em nome do desenvolvimento acelerado.
Grandes modificações foram feitas no setor educacional. Reformaram-se os três níveis de ensino (fundamental, médio e superior), expandiu-se a rede física e o número de vagas nos estabelecimentos escolares. Durante a ditadura o Brasil, começou a formar uma pequena, mas expressiva, elite universitária, desenvolvendo pesquisas de ponta; os resultados do surgimento dessa elite podem ser verificados hoje, através de pesquisas em áreas nas quais o Brasil ganhou destaque internacional, como é o caso da engenharia genética, valendo ao país a participação no projeto Genoma.
Enquanto se formava a pequena elite intelectual, milhões de brasileiros continuavam analfabetos e, a cada ano, milhares de crianças não conseguiam ter acesso à escolarização básica. Milhares de jovens deixavam a escola para ingressar no mercado de trabalho. Alguns outros, heroicamente, conseguiam freqüentar as aulas no período noturno e alguns poucos conseguiam chegar à universidade.
A educação foi uma das grandes preocupações dos grupos que atuaram no âmbito do Estado após 1964, pois o regime necessitava, tanto de técnicos altamente qualificados quanto de mão-de-obra desqualificada. Mão-de-obra desqualificada e “dócil”. A rede física foi expandida, um maior número de pessoas pôde freqüentar a escola e nela aprendiam que o Brasil era um país democrático, católico e alinhado ao mundo Ocidental.
O investimento em educação, porém, não permitia que se absorvesse toda a demanda escolar. Os recursos para a educação foram minguando ao longo do período ditatorial, pois a prioridade do regime era o desenvolvimento acelerado.
O regime tencionava construir um sistema de ensino que fosse capaz de aplacar a pobreza no Brasil, diminuindo a desigualdade social. Como diminuir a desigualdade num modelo de desenvolvimento econômico que priorizava o enriquecimento da camada mais rica da população? Essa pergunta não encontrou resposta nos planejamentos educacionais desenvolvidos entre 1964 e 1985; a desigualdade social não diminuiu, ao contrário, aprofundou-se.
O setor educacional foi alvo constante dos ataques do governo. Qualquer forma de discordância era logo taxada de “subversiva” ou “comunista”, e seu autor era banido dos meios acadêmicos. O movimento estudantil sofreu muitas baixas, até que perdeu sua força, mantendo-se quase inerte nos anos mais truculentos da ditadura. Essa foi a outra forma de educar encontrada pelo regime: disseminando o terror, para desencorajar atitudes de apoio ao “subversivos” ou “comunistas”.
A educação funcionou durante a ditadura militar como uma estratégia de hegemonia. O regime procurou difundir seus ideais através da escola, buscando o apoio de setores da sociedade para seu projeto de desenvolvimento, simultaneamente ao alargamento controlado das possibilidades de acesso ao ensino pelas camadas mais pobres.
Divulgou conceitos produzidos pela Escola Superior de Guerra nos manuais de Estudos dos Problemas Brasileiros, instrumentalizando os privilegiados que tinham acesso ao ensino superior no combate aos “inimigos internos”, na “defesa da Pátria” e na “preservação dos valores nacionais”.
Após 21 anos de ditadura militar, restou ao Brasil um sistema educacional com graves problemas: uma estrutura física que, apesar de estendida, não foi suficiente para atender à demanda crescente; uma queda na qualidade do ensino superior, com a proliferação de “empresas educacionais” que permitiram o acesso de um pequeno contingente das camadas de menores níveis de renda ao ensino superior, contingente este que custeava seus próprios estudos; queda na qualidade dos níveis elementares de ensino, dada a queda na qualidade de formação dos profissionais de educação, além da depreciação das condições de trabalho desses profissionais.
A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação surgiu para substituir o modelo implementado pela ditadura. Persistem, contudo, problemas que não foram solucionados ou que se aprofundaram no período. A educação básica, ainda hoje, não está universalizada no Brasil; vivenciamos um novo “surto” de privatização do ensino, com o surgimento de um número exorbitante de faculdades particulares, principalmente nos centros urbanos; as universidades federais estão assistindo à degeneração de seus espaços físicos e equipamentos, enquanto seus profissionais conseguem poucas conquistas após prolongados períodos de greve. Esses são alguns dos problemas que acometem a educação atual. Sem dúvida, muito do que se produziu durante a ditadura persiste na estrutura educacional brasileira.
Atualmente, os meios de comunicação divulgam pronunciamentos governamentais acerca da melhoria da qualidade do ensino. Novamente, a ênfase recai no aumento do número de vagas nos estabelecimentos de ensino e na qualificação da mão-de-obra através dos programas profissionalizantes pós-médio. A educação ainda aparece, na fala governamental, como um mecanismo minimizador das desigualdades sociais.
O que mudou na sociedade brasileira, passados 38 anos da instalação da ditadura militar brasileira? Vivemos hoje muitos dos dilemas enfrentados durante os anos de chumbo. A análise das políticas educacionais brasileiras deixa claro que a má qualidade do ensino nos sistemas públicos não é fruto de algum equívoco ou distorção. O tipo de ensino que se desenvolveu no Brasil atende às demandas impostas pelo grande capital, que exigem mão-de-obra barata e, portanto, desqualificada. Nesse aspecto, sem dúvida, os sistemas de ensino têm logrado bastante êxito.
O Brasil de hoje enfrenta uma grave situação social, com o desaparecimento de postos de trabalho, o empobrecimento da população e uma inserção subordinada ao sistema capitalista mundial. Seguindo esse compasso, a educação apresenta as mesmas distorções verificadas na sociedade e contribui para sua manutenção. O projeto educacional implementado durante a ditadura, assim como seu projeto global de desenvolvimento, teve papel decisivo no processo de exclusão social, cujos resultados colhemos na atualidade.

Esse Amor que Bagunça


A amor não leva em conta regras, nem valores morais. O amor  é uma carência biológica e psicológica. Uma necessidade humana de valor que sempre vai se expressar. Portanto sempre que haver oportunidade (através de qualquer tipo de convivência), o amor pode e certamente VAI querer se manifestar, seja da forma que for. Ele não vai “querer” porque não é uma entidade, vai apenas forçar os indivíduos a se unirem, sentimentalmente, afetivamente, emocionalmente, sexualmente.
O amor tem fundo biológico e também psicológico. O reconhecimento de nossa existência e indidualidade promovida pelo amor de alguém na forma de atenção, cuidados, afeto, desejo, etc, faz um bem incomensurável ao ego por demonstrar o valor que eventualmente possuímos – para aquela pessoa. Portanto é muito raro alguém negar o amor que lhe é oferecido, desde que vindo de quem considera-se minimamente   e mesmo que venha de quem a sociedade acha que não deveria vir. E acredito muito particularmente que quem nega o amor que lhe é oferecido acaba algum dia se arrependendo, afinal, a vida é tão curta – e a juventude tão mais curta ainda – para deixarmos de experimentar tudo que a vida nos oferece, só para nos  enquadrarmos em regras alheias.
E devemos ter em mente que se dermos bola para a sociedade, nos sentiremos oprimidos e reprimidos. Principalmente se a sociedade  (pais, parentes, etc) é quem paga as nossas contas. Ser livre – pagando as próprias contas  – e exercer autonomia sobre as próprias decisões  é pré-requisito para poder amar melhor e mais livremente. Dessa forma, muitas vezes só nos sentiremos livres para expressarmos nosso amor eventualmente não convencional longe da família e do meio onde fomos criados, principalmente se a família e o lugar forem tradicionais e conservadores.
O amor não é cego, tem olhos vendados
O amor não é cego, tem olhos vendados
As regras morais e a ética estão aí pra pôr um pouco de ordem no caos da sociedade. Mas na medida em que entendemos que o amor não reconhece regras e nem fronteiras, podemos diminuir um pouco o sofrimento quando percebemos que o amor não funciona como esperamos em nossas cabeças loucas, egoístas e controladoras. Principalmente se sua maior fonte de referência sobre o amor sejam as comédias românticas hollywoodianas .
A psicóloga Noely Montes Moraes [...] diz que buscar comodidade e segurança na vida amorosa como valor absoluto implica colocar-se à margem da vida, protegido por uma couraça. O resultado é a estagnação do fluxo vital e um empobrecimento de vivências. Para ela, a pessoa assim defendida se torna superficial e um tanto pueril, quando não se torna também invejosa das pessoas que ousam dizer sim à vida, atacando-as com um moralismo rançoso. 
Você pode até discordar de pontos de vistas assim. Mas ENTENDA que o problema não sou eu ou os estudiosos, é a vida! A vida não está nem aí para o que você pensa ou deixa de pensar. Nem para o que as pessoas e a sociedade consideram certo ou errado. A vida e a natureza simplesmente seguem seu curso, ignorando-nos soberba e solenemente. Ou você se adapta, entende, se prepara e aceita o amor e as pessoas como são, ou vai sofrer o resto da vida tentando controlar o incontrolável.